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segunda-feira, junho 01, 2009

Cher Antoine ...

Foi aquele mesmo vôo. Mesmo horário, mesma companhia, mesma aeronave. E só de olhar a cara de desalento dos familiares, já dá um aperto absurdo no peito ao pensar que, fosse um ano anterior, poderia ter sido você.
Desaparecer assim do nada. De radares, da vida. De uma maneira tão abrupta que mal dá pra começar a organizar pensamentos, quanto menos extravasar sofrimento.

Pais chorando por filhos, maridos por esposas, e eu? Se me perguntassem por quem é que eu estou neste estado lastimável, o que eu diria?
Sim, porque só de hipoteticamente imaginar por alguns segundos como eu estaria, já é algo muito além do deplorável. Mas diria o quê?

Não é ex-namorado, não é só um alguém querido, uma pessoa especial não diz tudo.
É o responsável por uma enorme revolução, de sentimentos, conceitos e vivências, nos últimos dois anos da minha vida. É por causa dele que, se eu morresse hoje e me indagassem o que eu sei sobre gostar e dividir com alguém, eu responderia que talvez não muito, mas o suficiente pra achar que minha estadia por aqui, embora breve, já valeu e muito a pena.

Foi lindo, babe. E eu só posso ser grata. E achar que esses nossos silêncios e joguinhos de ultimamente são algo tão estúpido e sem propósito, que não combinam nenhum pouco com a gente.

Conheceste outro alguém? Eu também. Vais ficar aí por tempo indeterminado? Também não sei se algum dia saio mesmo daqui. Tem horas em que lembrar acaba sendo mais ruim do que bom? Tenho certeza que vai chegar agora o dia doze e eu vou chorar como há muito não chorava.

Mas veja, foda-se. Não justifica. Porque você não desapareceu no Atlântico.
Porque a gente se conheceu, viveu uma história surreal, serelepeou pelo Sena, e você não sumiu do radar. Muito menos de todas as recordações tão bonitas que eu guardo aqui dentro.

É o meu menino franco-nordestino. Que vai ter um futuro europeu, uma família européia, um sotaque ridículo, e vai continuar dividindo como vê o mundo aqui comigo.
Seus pequenos esnobes de olhos verdes vão perguntar como é que conheceste a tia Mariana, e os meus respondões sarcásticos vão ouvir as estórias do amigo mais do que querido além-mar da mamãe.

Sempre teremos Paris, babe. Sempre teremos carinho. Sempre teremos notícias, ouviste?
As raízes estarão sempre aqui, elas só mudaram o ponto central de suporte.
Amo-te.
Trégua?!


"Os outros eu conheci por ocioso acaso.
A ti vim encontrar porque era preciso."

sexta-feira, abril 03, 2009

Just as they play your favourite songs …

Quando dividem momentos intensos, sejam eles bons ou os ruins, pessoas acabam criando e estreitando laços. E é quase que instantâneo. Não importa se são recém-conhecidos ou semi-desconhecidos, se serão laços duradouros ou fugazes, se a conexão é verbal ou silenciosa.
Como que ao identificarmos que há mais alguém ali, sentindo aquela mesma sensação extrema que a gente, enxergamos no outro um pouco de nós mesmos. E pelo menos por alguns instantes, aqueles instantes, temos a impressão que somos todos parte de uma coisa só. Que estamos todos ali compartilhando tal momento ligados por algo maior e transcendental.

E não havia lugar menos propício para se criar laços e transcender que a chácara mais isolada e com a pior infra-estrutura que alguém poderia projetar. Mas havia pessoas dispostas, milhares. E cinco meninos que nasceram com o dom de fazer notas musicais invadirem o corpo, ressoarem na alma, e transbordarem sob a forma de cantos, euforia, lágrimas e catarse.

Era um misto de perplexidade e empolgação. Olhar para eles e para as luzes de inebriar, ouvir e cantar as músicas que embalaram tantos momentos, que já falaram tanto para mim e por mim como por cada um dos trinta e tantos mil companheiros ao redor.

Companheiros debaixo de um céu que ora nos presenteava com chuva from a great high – como se já não estivesse óbvio o quanto havia de almas sendo lavadas por lá –, ora com estrelas num céu quase que limpo – porque tudo aquilo não tinha como ser São Paulo cinza, e sim our fake plastic earth nosso universo paralelo. Um perfeito universo paralelo.

Repleto de olhares trocados entre uma música e outra junto a aplausos e assobios. De sorrisos embasbacados e lágrimas coloridas que teimavam por escorrer. De coros de fazer falhar a voz e sussurros como que em orações.
Porque eram sim orações. Emocionadas e inesquecíveis. Que reverberaram da Pirajussara à Europa.

E eu acho que nunca ouvi tantos: “Agora eu posso morrer”. “Caramba, não estou acreditando!”. “Obrigado, mil vezes obrigado!”.
Porque ganhamos três bis e cento-e-cinqüenta-minutos de mantras. Ganhamos a melhor segunda voz pra canção que nos recusamos a deixar que terminasse. Ganhamos risos, aplausos e reverências daqueles que fomos prestigiar. Ganhamos o que talvez sejam algumas das melhores cenas dos nossos videotapes pessoais.

Agora eu posso voltar pra rotina cansativa, pros plantões infindáveis, pros finais de semana que encolheram, pra série de dúvidas e desafios do dia-a-dia. Porque agora, nesses momentos, a gente re-escuta as canções to keep us warm, se transporta pra lá e levita novamente.
No matter what happens now, agora eu posso morrer. Obrigada, mil vezes obrigada.
(E ah, voltem logo, vai.)

For some minutes there, I lost myself.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Boa sorte ...

Por mais que a gente tente ser ou tente aparentar ser um alguém superior, acaba sendo sim uma espécie de competição cruel. Tácita, sutil, não verbal. Sempre acaba sendo uma situação constrangedora e gerando desconforto.

E não poderia ter sido diferente. Não contigo. Não depois de todos os sonhos, de todas as lágrimas; do teu pé na minha bunda; e da nova namorada não-estúpida, não-baranga, não-totalmente-desprovida-de-senso-de-humor.

Lógico que incomodou de uma maneira estranha. Lógico que deu raiva, ciuminho, e doeu daquele jeito que parece físico. Ver vocês dois ali conversando comigo. Tão cúmplices, com tanta sintonia. Me fez sentir deveras perdedora. Ouvir os planos de vocês pra vida despertou em mim sentimentos não muito bonitos.

E não é que eu me orgulhe do que veio em seguida, na verdade, nem sei explicar como é que começou. Mas foi sim de propósito.
: Os comentários aparentemente desprendidos de cada encontro. Cada olhar ou desvio do mesmo. Cada referência mínima a algo da gente. Os esbarrões despretensiosos e as pequenas provocações. Tudo.

Infantil, patético, eu sei. Mas era uma necessidade.
: A escolha do perfume, do decote ou da saia. O capricho maior na postura e na cruzada de pernas. As melhores tiradas, as frases espirituosas, a melhor primeira impressão que eu era capaz de deixar destinada a cada pessoa do teu novo círculo social a qual eu era apresentada.

E quanto mais eu notava os sinais, quanto mais eu percebia que estava funcionando, menos eu conseguia parar. Era quase que automático. Era mais forte do que eu.
Tinha culpa e arrependimento também, é verdade, mas a vontade era maior. Eu simplesmente tinha que ouvir aquilo, exatamente como foi, da sua boca.
: Que você também lembra. Que também ficou mal. E que a minha presença ainda mexe contigo.

Eu necessitava do telefonema parcialmente ébrio que te deu a coragem pra confessar.
: Os elogios. O quanto você se sente atraído e repara sim em cada detalhe. Que ainda sonha e imagina e me faz de inspiração freqüente pras suas estimulações manuais solitárias.

Não sei se consegui disfarçar o sorriso. Não era maldade não. Era apenas porque você não deve ter noção do quanto para mim foi importante saber.
: Que você me admira e gosta de ficar por perto. Que eu ainda te faço rir. E que de tempos em tempos você pensa se poderia ter sido ou se pode ser diferente.

Então que é isso. Agora eu me dirijo à saída de emergência mais próxima à direita, e faço minha retirada elegante estratégica. Chega. Acabou. Fechou o ciclo.
Era tudo o que eu precisava. Certo ou errado, egoísmo ou não, eu só precisava validar a coisa toda. Eu só precisava saber que também é difícil pra você, entende?

Porque era realmente muito dolorido aceitar que o incômodo, as noites em claro, a química e os pensamentos tantos eram unilaterais, somente coisa da minha cabeça. Não conseguia assimilar como algo que foi tão forte e devastador pudesse ter se transformado em nada pra uma parte que aparentemente esteve tão envolvida quanto eu, e pelo menos durante algum tempo, parecia ter sentido tanto quanto eu.

Porque quando marca forte, sempre fica alguma coisa, não? No mínimo algo bonito pra gente olhar e se lembrar com carinho.
E agora que eu sei que você sabe como é, que eu sei que você também passa pelo o que eu passo, eu fico leve. Com uma sensação de calma, desprendimento e plenitude que surgiu eu nem sei direito de onde. E que pode não ser lá muito nobre, mas substituiu todos os sentimentos nada bonitos de outrora.

Agora posso sinceramente dizer o que eu antes só repetia forçosamente pra ver se eu conseguia finalmente passar a acreditar.
: Que eu lhe desejo um caminho bonito. Que você merece ser feliz. Que vocês merecem ser felizes. Juntos. Sem mim. E que pela primeira vez na vida, isso me deixa bem e me faz feliz também.
'Brigada, babe.

terça-feira, setembro 09, 2008

Violet Hill ...

Todas as coisas que eu queria escrever e não posso, porque não consigo, me torturam todos os dias. Não toca nas minhas memórias porque eu viro bicho. Tudo está tão guardado em mim que às vezes penso que eu mesma sou só reminiscência do resto.
Eu não esqueço nada. Sou completamente mapeada por cheiros, toques e música. Guardo todos os que aqui tiveram e não deixo ninguém ir embora.
É físico, quase crônico. E tenho medo de escrever. Porque quando se é colocado pra fora e vira letra, é documento. E eu ando com dificuldades de assumir até para mim mesma.

A verdade é que desde que decidimos que nossos caminhos não são mais compatíveis, eu ainda o procuro pela cama. E às vezes me dá uma saudade sufocadora de todo o caos que vinha junto daquele não saber lidar. E é nesse momento em que eu grito, choro, esperneio, escrevo, penso em dez desculpas fajutas para ligar e ouvir a voz dele de novo. Mas depois lembro que sinto saudades é da cama e do sentimento que eu nunca soube controlar.
Deixo de lado. Esqueço. Entendo.

Está tudo bem, babe. Só dói quando eu mexo. Se eu esqueço que ele está ali, eu passo os dias de forma normal, e nada demais acontece. Às vezes é que incomoda, e machuca, e eu lembro. Deve ser assim com todo mundo. E até que para uma menina como eu, a dor é suportável.
Lembro de todas as minhas marcas e cicatrizes - internas e externas – e dos tombos – a maioria na idade adulta - e penso que até agora eu me saí bem. E fico pronta pra outra.
É mais uma marca para se olhar com carinho. E não é disso mesmo que somos todos feitos?

Já faz algum tempo em que me assumi dependente química de açúcar e de amor. Cortar os doces e o refrigerante é sempre mais fácil. Mas com o amor, a vulnerabilidade é de espantar a psicologia.
Pois numa crise de abstinência de carinhos gratuitos. Daqueles de pessoas especiais, sem hora ou lugar ou grandes cerimônias. Aí é que eu resolvo desenterrar tudo o que eu já tinha tirado do corpo e da casa. E por mais que não me falte nada, eu sempre arranjo do que reclamar.
Na verdade o que eu tenho que me livrar é dessa compulsão bizarra pelo eterno friozinho na barriga. Os doces nunca me fizeram mal.

(Adaptado de Paula Gicovate)


domingo, agosto 03, 2008

Not that innocent ...

Não mesmo. Também não chego nem perto da Melissa Panarello. Digamos que se houvesse uma reta com Sandy numa ponta e Melissa na outra, acredito que eu estaria em algum lugar lá pelo terceiro quarto. Apesar do choro fácil, da cara de pirralha, e das paixõezinhas sofridas idealizadas.

A questão é que a gente costuma saber o tipo de efeito que causa nas pessoas. E o que elas causam na gente.
E cansa ser predominantemente racional o tempo inteiro. Cansa ser sempre tudo muito sério, planejado, e politicamente correto.
Aquela coisa tão significativa e profunda que acontece ciclicamente comigo - e que no fundo, vai ser sempre o que eu realmente busco e o que me preenche - é sim muito bonita e recompensadora, mas em certas ocasiões, acaba sendo um tanto quanto desgastante e pesada.

O um e cinqüenta e seis e meio não agüenta a louca febre contínua. Precisa de um tempo de intermitência, de repouso pós-sutura pra cicatrizar direitinho os últimos cortes. Pra recuperar o fôlego e o condicionamento, e daí começar tudo de novo.
E esses intervalos precisam ser leves. Leves, divertidos e “descompromissados”. Nada mais. Porque acabam não passando também de mais uma forma de analgesia.

E é só começar a reparar com um pouco mais de atenção que você percebe que tem mais gente nessa ciranda do que você supunha. É uma quadrilha que baila e passeia para além de junho, a trilha funciona o ano inteiro.
Eis que quando a situação é honesta, eu não vejo malefício, nem entendo o porquê de olhares e silêncios repreendedores.

Não que eu seja super familiarizada com a dinâmica. Confesso que me pego constantemente com aquele friozinho na barriga.
De não saber exatamente pra onde está indo, de não saber direito como agir, e de me surpreender com todas as coisas das quais aparentemente eu sou capaz e sequer desconfiava.
Mas sei que as risadas longas, os rubores compartilhados, e a sensação de bem-estar justificam-se por si sós. Também sei que o efêmero, o secreto, e o lúdico de nenhuma forma mancham a beleza dos momentos.

Daí que é tempo de reequilibrar, recarregar baterias, e brincar.
De cumprimento aos cavalheiros, fazer que vai-mas-não-vai, passar pelo túnel e pela ponte quebrada, fugir da chuva.
De revival leve e divertido, de flerte tímido, de ganar torneo de vocablos, de incitar imaginações pré-existentes.

Daí que nessas brincadeiras de gente grande não necessariamente alguém tem que sair perdendo. Porque por mais que às vezes a gente acabe indo um pouco mais longe do que inicialmente esperava, acredito que respeito e sinceridade sejam suficientes pra resolver e encarar sem maiores danos a grande maioria dos “percalços” pelo caminho.

Então que não há a menor necessidade de lição de moral, preocupação demasiada, ou encanações infundadas.
Tô bem. Tá tudo bão, sô. Não é nem inocência nem maldade. Não muda nada de significativo sobre quem eu sou e sobre as diversas relações existentes.

A roda viva ciranda da vida nunca pára. O que normalmente me desperta tontura e toda uma dificuldade de assimilação. Mas nas circunstâncias atuais, anda é ajudando muitíssimo. Só me resta então continuar a girar, bailar e agradecer, babes.


"Carlos, sossegue, o amor
É isso que você está vendo
Hoje beija, amanhã não beija
Depois de amanhã é domingo
E segunda-feira
Ninguém sabe o que será."

quinta-feira, julho 10, 2008

Ecos de antigas palavras ...

Depois de ficar rolando na cama me sentindo um lixo, dei pra pensar no que será que eu podia fazer pra amenizar a situação e mostrar que eu sinto muitíssimo. Por ontem, por dezembro, por essa minha capacidade aparentemente enorme de magoar pessoas queridas.

A primeira coisa que me veio à mente foi voltar no tempo e não ter feito comentários bloguísticos num certo agosto. Mas bem, isso não é exequível. Ainda nessa idéia de regressar no tempo, pensei em voltar até dezembro e te enviar pra Europa, pra ella, pra essas coisas todas. Tenho certeza de que ia ser um dezembro bem bonito.
Eu queria mesmo era apagar a tristeza prévia toda. A que eu não fazia noção. Mas mais uma vez, algo irreal.

Começou a lista de idéias de tentar agir no presente então. Deu vontade de aparecer na tua porta hoje com um engradado de cerveja, um maço de cigarros, e um CD da Maria Rita. Só que eu não tenho o endereço, mal tem ônibus direto, e a tapada não conseguiu descobrir onde diabos pego o EMTU campineiro pra cidade dos Pedros todos.
Resolvi então ligar, mas pensei que talvez não fosse a oportunidade mais feliz de se forçar uma conversa.

Sabe, és uma das melhores pessoas que conheço. A sério. E toda aquela história de incômodo, sumiço, detalhes... bullshit, babe. É tudo insignificante e pequeno perto do que és e do que mereces.
Então eu decidi que tá tudo bem. Eu sou grandinha crescidinha. Talvez não pergunte muito logo de cara, mas vou querer saber sim de tudo. Tudo mesmo. Porque se te faz feliz, eu de cara já simpatizo, e me faz feliz também. E é infinitamente maior que auto-defesa, egoísmo, posse ou qualquer outro sentimento desses nada nobres e estranhos de agora.

Quanto às possibilidades, serão sempre amáveis. Num fundo de armário, num histórico arquivado, milênios milênios no ar. Pois futuros amantes, quiçá, se amarão sem saber com aquilo que um dia existiu pra você.


"We’re not the same, dear, as we used to be. The seasons have changed and so have we. We’re not the same, dear, and it seems to me there's no ice under me and you. It saddens me a little to say but we both know… well, it’s true… all it'll ever be is possibility."

quarta-feira, junho 18, 2008

Isso é bom, né?

Então que quando questionaram sobre a falta de resposta, eu perguntei em que dia estávamos e lembrei que era aniversário dele. Em pensar que houve uma época em que eu me lembrava todo santo dia. Centenas de quilômetros de distância, pouco efetivamente vivido ante ao dito e sonhado, e tudo remetia a ele.

Nunca soube onde cresceu, nunca conheci a mãe, a avó ou os amigos de que tanto ouvia falar. Não li o poema sobre suicidas, não fui à Praia Vermelha, nem ao Anhembi. Não enviei o telegrama de Aracaju ou do Alabama, não tomei conta dos olhos, e me fiz de tonta. Mas houve uma época em que eu me lembrava todo santo dia.

Ironicamente, eu não chorei o que ficou engasgado depois do “sim, tô". Também nunca contei o que vi no fatídico Reveillón recifense, nem confessei o quanto torci por Campinas e por Ribeirão Preto.
Nunca o via, nunca comentava direito, não queria lembrar porque rasgava por dentro. Mas houve uma época em que eu me lembrava todo santo dia.

Hoje a gente se esbarra à noite por ruas vazias, ladeiras carnavalescas de Olinda, consultas e discussões de caso, frases ébrias e sóbrias mal-educadas, torpedos meramente profissionais. Hoje o que mais me incomoda no encontro é que às vezes borra a lembrança idealizada. Hoje eu fico tentando me lembrar se são vinte e cinco ou vinte e seis anos. Mas houve uma época em que eu me lembrava todo santo dia.

E foi tudo tão bonito, meteórico e privado que tem horas que parece que não passou de sonho. Daqueles tão vívidos que deixam a gente meio confuso ao acordar, sem saber se realmente aconteceu ou não. Sem testemunhas, letras vermelhas, fotos, fios de cabelo, abridores de vinho, ou quaisquer outras evidências que atestem a veracidade da coisa toda.
Sem sequer lembrar direito do timbre dos sussurros e da cor dos olhos. Sem que qualquer conversa atual remeta às de causar taquicardia da memória. Mas houve uma época em que eu me lembrava todo santo dia.

E mal há telefonema, torpedo ou e-mail de congratulações. Seja por infantilidade e inabilidade pessoal de agir normalmente, seja pela falta de motivação suficiente. Mas há flashes de pão-de-mel, moletom escuro, sonetos e picardias estudantis.
Há idas a congressos, carinho pelo CAOC, relacionamentos à distância, e paixão pela cidade que quase arrebenta a retina de quem vê. Há também desejos tácitos e inefáveis de tudo de melhor que houver nessa vida. Porque houve uma época em que eu me lembrava todo santo dia ...


“A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la”.

domingo, junho 01, 2008

Mesmo que mude ...

Ela vai mudar. Vai gostar de coisas que ele nunca imaginou. Vai ficar feliz de ver que ele também mudou. Pelo jeito, não descarta uma nova paixão.

Mas espera que ele ligue a qualquer hora. Para conversar. Perguntar se é tarde pra ligar. Dizer que pensou nela. Que estava com saudade.

Mesmo sem ter esquecido que é sempre amor mesmo que acabe. Com ela aonde quer que esteja. É sempre amor mesmo que mude. É sempre amor mesmo que alguém esqueça o que passou.

Ele vai mudar. Vai escolher um jeito novo de dizer "alô". Vai ter medo de que um dia ela vá mudar. Que aprenda a esquecer sua velha paixão.

Mas evita ir até o telefone. Para conversar. Pois é muito tarde pra ligar. Tem pensado nela. Estava com saudade.

Mesmo sem ter esquecido que é sempre amor mesmo que acabe. Com ele aonde quer que esteja. É sempre amor mesmo que mude. É sempre amor mesmo que alguém esqueça o que passou.

A questão é que nunca é muito tarde pra ligar. Ele pensa nela. Ela tem saudade.

Mesmo sem terem esquecido que é sempre amor mesmo que acabe. Com eles aonde quer que estejam. É sempre amor mesmo que mude. É sempre amor mesmo que alguém esqueça o que passou.


terça-feira, abril 22, 2008

Tua cartilha tem o A de que cor?

Olha, antes do avião partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer. Dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe. Dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende?

Olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora talvez não diga nunca mais. Porque tanto eu como você sentiremos uma falta enorme dessas coisas. E se elas não chegarem a ser ditas nem eu nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos. Porque elas não foram existidas completamente, entende? Porque as vivemos apenas naquela dimensão em que é permitido viver.
Não, não é isso que eu quero dizer. Não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida, indevassável. Não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo. Desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas malas, suas bolsas ...

Existem coisas que a gente ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense. Eu, por exemplo, nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já foi dito. Ou melhor, pensei sim. Não, pensar propriamente dito não, mas eu sabia. É verdade que eu sabia que havia uma outra coisa atrás e além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, de você dentro de mim. E mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela janela, o som das ondas quebrando no meio da noite. Você sabe que eu não falaria dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que eu a respeito dos fios de luz, das ondas quebrando. É, eu não falaria.

Uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo. Você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouco que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si próprio. Mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito. Porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas, eu também cantava desvairadamente até ficar rouca.
O que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos conta. É por isso que estou tão rouca assim. Não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende?

Deixa eu te dizer antes que o avião parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado. Assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala; uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira. Não estou sendo agressiva, não. Esperava de você apenas coisas assim: avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento, essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco, derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente. Você não cresceria se eu o mantivesse preso num pequeno vaso. Eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço.

Mas agora, escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs. Não importa a cor. O tempo é só uma questão de cor, não é? Por isso não importa. Eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinha, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer; porque existem coisas terríveis. Eu me perguntava se você era capaz de ouvir. Sim, era preciso estar disponível para ouvi-las. Disponível em relação a quê? Não sei, disponível só. Não é uma palavra bonita?

Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você. Eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia. E se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas. E pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?

Dolorida-colorida, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente comprava as passagens, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente em nada. Mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um dia destes eu descobri existindo. Porque eu nem supunha que existisse. Acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas ...

(Adaptado de C.F.A.)

“Não, não me diz que sente. Você tem mais planos, vai em frente.
Não me torture. Não simule. Não me cure de você.
Quem sabe dá certo? Quem sabe dá tempo? Deixa o amanhã dizer ...”

sábado, março 15, 2008

Assim sem disfarçar ...

Não é porque eu sujei a roupa bem agora que eu já estava saindo. Nem mesmo porque eu peguei o maior trânsito e acabei me atrasando de novo. Não é porque não ando dormindo nem metade das horas que eu tô precisando. Nem mesmo o dedo que eu cortei abrindo a lata e ainda continua sangrando.

Não é porque fui mal na prova de Clínica e periga d'eu repetir de ano. Nem mesmo porque eu esqueci o guarda-chuva e me encharquei mais uma vez. Não é porque tá muito frio, não é porque tá muito calor.

O problema é que eu te amo. Não tenho dúvidas que eu queria estar mais perto. Juntos faríamos tantos planos, com você o meu mundo ficaria completo. Eu vejo nossos filhos brincando. E depois cresceriam, e nos dariam os netos.

Não é porque eu sei que ele não mais virá que eu não veja a porta já se abrindo. E que eu não queira continuar a tê-lo, mesmo que não tenha a mínima lógica nesse raciocínio. Não é que eu esteja procurando no infinito a sorte para andar comigo. Se a fé remove até montanhas, o desejo é o que torna o irreal possível.

Não é por isso que eu não possa estar feliz, sorrindo e cantando. Não é por isso que ele não possa estar feliz, sorrindo e cantando. Não vou dizer que eu não ligo. Eu digo o que eu sinto e o que eu sou:
O problema é que eu te amo. Não tenha dúvidas, pois isso não é mais secreto. Juntos morreríamos pois nos amamos, e de nós o mundo ficaria deserto. Eu vejo nossos filhos lembrando com os seus filhos, que já teriam seus netos ...



"Todo sopro que apaga uma chama, reacende o que for pra ficar."

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Pra quando o arco-íris encontrar o pote de ouro ...



(...)
Aeronaves seguem pousando.
D'uma delas eu vou desembarcar.
Pra você me dar a mão nessa hora.
Levar as malas pro fusca lá fora.
E ir guiando ...

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Conversa de botas batidas ...

Batidas na porta da frente, é o tempo. Eu bebo um pouquinho pra ter argumento.
Mas fico sem jeito, calada. Ele ri. Ele zomba do quanto eu chorei.
Porque sabe passar, e eu não sei.

Num dia azul de primavera, sinto o vento. Há folhas no meu coração, é o tempo.
Recordo um amor que perdi, ele ri. Diz que somos iguais, se eu notei.
Pois não sabe ficar, e eu também não sei.

E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos, que amores terminam no escuro... sozinhos.
Respondo que ele aprisiona, eu liberto. Que ele adormece as paixões, eu desperto.

E o tempo se rói com inveja de mim, me vigia, querendo aprender como eu morro de amor pra tentar reviver.
No fundo é uma eterna criança, que não soube amadurecer. Eu posso, ele não vai poder me esquecer.

(Resposta ao tempo ou Pra manter a sanidade mental em meio aos acontecimentos de fim de semestre.)

sexta-feira, setembro 14, 2007

Tão feérico como imagina que deveriam ser os prazeres ...

E eu vivi mais em meses do que em anos de vida. Mais em encontros esparsos do que em muitos de todo-dia.

Mudou toda a minha perspectiva de relacionamentos, do aprender, e do dividir como eu conhecia. E minha visão sobre mim mesma também.

É daquelas marcas pra sempre que despertam um sorriso enorme no rosto e no coração, juntamente com lembranças capazes de alegrar o dia mais difícil e de enrubescer as minhas bochechas já nada chamativas.

E eu queria poder me despedir do jeito singelo e especial que ele merece. Mas não consigo colocar tudo em palavras (pelo menos não ainda), pois de quase tudo o que importa não se sabe falar.
E mexer demais agora só traria à tona uma série de sentimentos ruins que invariavelmente acabam vindo junto com o gostar - porque a gente permite - mas não deveria, pois de nada acrescentam e só fazem mal.

Adapto então as palavras de outrem, e elas se tornam tão minhas quanto qualquer outra que eu tenha dito, escrito ou sussurrado pra ele naqueles momentos em que o resto do mundo parava:

É bom olhar pra trás, e admirar a vida que soubemos fazer. É bom olhar pra frente.
É bom, nunca é igual: olhar, beijar e ouvir cantar um novo dia nascendo.
É bom e é tão diferente.

Eu não vou chorar. Você não vai chorar.
Você pode entender que eu não vou mais te ver.
Por enquanto, sorria e saiba o que eu sei: eu te amei.

É bom: se apaixonar, ficar feliz, te ver feliz ... me faz bem. Foi bom se apaixonar.
Foi bom, e é bom, e o que será?
Por pensar demais, eu preferi não pensar demais dessa vez.

Foi tão bom e por que será?
Eu não vou chorar. Você não vai chorar. Ninguém precisa chorar.
Mas eu só posso te dizer, por enquanto, que nessa linda história os diabos são anjos.



"E tinha agora a responsabilidade de ser ela mesma. Nesse mundo de escolhas, ela parecia ter escolhido."

quarta-feira, agosto 22, 2007

Vou levar a vida inteira pra entender que mesmo só eu faço parte de você ...

É aquela história do fazer bem e mal ao mesmo tempo, numa razão inversamente proporcional.
E como com ele tudo é sempre muito e especial, vai do leve que eleva às nuvens, ao desconforto que corta fundo e dói daquele jeito de fazer faltar o ar.
E bagunça toda essa minha mania de querer entender as coisas e de querer ter algum tipo de controle sobre as mesmas.

Porque eu já cansei de tentar entender como é que alguém consegue mexer tanto comigo e me desequilibrar tão facilmente. Seja na distância ou no silêncio, sempre que já nem me lembro, lembras pra mim.
Uma simples aparição, uma simples sugestão de presença ou de lembrança e pronto, lá se vai por água abaixo todo o esforço de semanas pra fazer caber no peito os hectares de sentimento.
É fato que essa enxurrada transborda pra além de mim uma alegria e uma vontade tão grande de tudo que se reflete em taquicardia, sorrisos bobos, numa facilidade pra enxergar a beleza e pra lidar com os afazeres do dia-a-dia que ainda me impressiona como quando agosto passado.

Mas aí ele tranqüilamente volta pra costa mais uma vez, e eu fico aqui no avesso do avesso, silenciosamente juntando caquinhos.
E prometendo pra mim mesma não me deixar envolver tanto nesse joguinho aliciador e por vezes cruel que a gente faz um com o outro já faz meses.
Onde as palavras são cuidadosamente ditas e escritas num subtexto muito bem elaborado; onde a gente finge que não quer saber detalhes daquele setor da vida sobre o qual a gente nunca comenta; onde rastros de notícias são propositalmente deixados pra quem certamente fará com que eles cheguem ao destino desejado.

Se alguém soubesse o quão estúpida eu me sinto por não conseguir ter um mínimo de controle sobre tudo isso.
Se soubessem o quanto me custou chegar à conclusão de que em se tratando dele, nunca é apenas, nunca é somente, nunca é simplesmente qualquer coisa.
E eu fico me achando deveras mimada e egoísta por ousar reclamar de algo que me faz viver tanta coisa tão sublime.

Mas é que chega num ponto onde fica difícil continuar deixando tudo tão etéreo e a esclarecer.
Quando machuca repetidas vezes no mesmo lugar, a gente começa a cogitar a possibilidade de continuar vivendo o especial apenas na forma de lembranças, que permanecem tão vívidas e fisiologicamente ativas que não se apagam com o passar dos dias, com o distanciar dos encontros, muito menos com um adeus.

"Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir.
(...)
Lembra que o plano era ficarmos bem?"

segunda-feira, agosto 06, 2007

Tem horas em que a gente se pergunta por que é que não se junta tudo numa coisa só ...

Quem é você pra me chamar aqui se nada aconteceu?
Me diz, foi só amor ou medo de ficar sozinho outra vez?
Cadê aquela outra mulher? Você me parecia tão bem!
A chuva já passou por aqui, eu mesma que cuidei de secar.
Quem foi que te ensinou a rezar? Que santo vai brigar por você? Que povo aprova o que você fez?
Devolve aquela minha TV, que eu vou de vez.
Não há porque chorar por um amor que já morreu.
Deixa pra lá, eu vou, adeus.

Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais, mas sabe menos do que eu.
Porque a vida só se dá pra quem se deu. Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu.
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não.
Não há mal pior do que a descrença. Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão.
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair. Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu, francamente, já não quero nem saber de quem não vai porque tem medo de sofrer.
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão.
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não.

Tô relendo minha lida, minha alma, meus amores.
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores.
Refazendo minhas forças, minhas fontes, meus favores.
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores.
Tô limpando minha casa, minha cama, meu quartinho.
Tô soprando minha brasa, minha brisa, meu anjinho.
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho.
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho.
Estou podando meu jardim. Estou cuidando bem de mim e da minha faringite-souvenir-de-Floripa.

sábado, junho 23, 2007

Na bruma leve das paixões que vêm de dentro ...

Morena tropicana ou não, da manga rosa quero o gosto, o sumo, e estar de volta ao meu aconchego.
Pelas ruas que andei, procurei e procurei encontrar-te, mas a Madalena era vila, e minha troca de Piedade por Liberdade não foi lá muito bem-sucedida.

Sabe, tô trazendo na mala bastante saudade, na verdade foi ela quem me trouxe pelo braço.
Quero um sorriso sincero, um abraço, cair no passo. Quero Vassourinhas, Galinhas, tomar umas e outras, aliviar meu cansaço e toda essa minha vontade.

É bom poder estar contigo de novo, roçando o seu corpo e beijando você. A pele macia de carne de caju, o beijo travoso de umbu cajá.
Pra mim, tu és a estrela mais linda. Teus olhos de jaboticaba noturnos me prendem, fascinam. É a paz que eu gosto de ter.

É duro ficar sem você "vez em quando", parece que falta um pedaço de mim.
Só penso na hora de regressar, numa manhã de domingo, pra brincar no teu quintal.
Tu me anuncias nos sinos das catedrais e a gente mergulha na felicidade sem fim.

Porque é mistério, segredo, divino brinquedo, e muito mais. É bobo, bola, balão, São João.
E como quem diz "não tem jeito", eis que vou-me lá, apenas apanhar na beira-mar meu táxi pra estação lunar ...

terça-feira, junho 12, 2007

Little things, there's nothing bigger ...

"Nos outros eu sei onde se abriga o coração. É no peito – todos sabem disso. Comigo a anatomia ficou louca. Eu sou todo coração – ele bate em todo o corpo."
(Maiakóski)

Se saudade pudesse ser transformada em tele-transporte, só haveria um único lugar onde eu estaria hoje. A vontade de estar perto e apertando é tanta que parece que fazem 2 anos, não 2 dias.

Mas a gente tá junto, menino, você tá aqui comigo. Sinto-te. Mais do que qualquer um possa imaginar, mais do que você mesmo poderia supor.

Sem palavras para agradecer o sorriso de orelha a orelha lendo o cartão, as flores de hoje, e todas aquelas outras que você vem colocando no meu caminho.

Porque agora é só você que me faz cantar. É só você que me faz cantar ...

segunda-feira, junho 11, 2007

Moços, olha só o que eu lhes escrevi ...

O vento vai dizer, lento, o que virá.
E se chover demais, a gente vai saber, claro de um trovão.
Se alguém depois sorrir em paz, só de encontrar. Ah ...

A sensação atual é a de que se terminou um namoro foda de 6 anos. E terminou por telefone ...
Incomoda. Evito comentar e pensar sobre o assunto. Ainda tá engasgado.
Preciso de mais um tempinho pra passar, pr'eu assimilar a forma como tudo aconteceu e o fato de que não, eu não estava lá mas eu vi (thanks youtube).
Mas tá, logo logo melhora. E tudo de ruim e de dor-de-cotovelo felizmente desaparece.

Se a gente já não sabe mais rir um do outro, meu bem, então o que resta é chorar.
E talvez, se tem que durar, vem renascido o amor, bento de lágrimas ...



(E eu não podia terminar com qualquer outra, tinha que ser a MINHA música!)

domingo, maio 13, 2007

Num trem para as estrelas ...

Sabe, algumas coisas simplesmente precisam ser feitas, mesmo que a gente ainda não entenda exatamente o porquê das mesmas.
E eu criei coragem, fui lá, e fiz.
Mesmo sabendo do incômodo, mesmo sabendo do desconforto e do desconcerto, mesmo tendo a total certeza de que iria doer e apertar aqui dentro, e de que a minha mente masoquista e teimosa iria me "presentear" com oceanos e mais oceanos de frases, momentos, sensações e recordações.

Porque recordações são tão belas quanto perigosas. Elas acabam sendo reescritas e revisadas por nós mesmos - sem que necessariamente terminem por representar tudo como realmente ocorreu.
E é exatamente aí que está o quê de mais sublime das malandrinhas: elas acabam ficando com a cor que a gente pinta; e a gente sempre tende a substituir névoas por brisas, tempestades por arco-íris, e a enxergar muito mais o colorido dos fatos com o passar do tempo.

E isso não é bom? Sem dúvida que sim!
Você olha pra trás, para alguma época um pouco mais conturbada da vida, e vê que o que mais marcou foram aprendizados, e pessoas, e vivências; enquanto que as angústias, medos, desesperos, e dificuldades, parecem tão pequenos e insignificantes perto de todo o resto, parecem que foram meros degraus pelo caminho para que pudéssemos chegar mais alto, e mais longe.

Acontece que as minhas já eram boas, e mágicas, e de certa forma idealizadas.
E a realidade de agora só escancarou e jogou à força - para quem quisesse e para quem não quisesse ver - a distância, o estranhamento, o mundano, e até um certo tanto de mágoas e do querer aparentar indiferença.
E isso pra mim foi um belo d'um tapa na cara, não vou negar.
Não que eu já não imaginasse que fosse acontecer assim. Tanto sabia que adiei o tal momento o quanto pude, até tornar-se insustentável não ocorrer.
Mas, como eu mesma disse, precisava ser feito, precisava sim acontecer, e está feito.
Talvez eu tenha conseguido disfarçar o tsunami de sentimentos e pensamentos que estavam por me devastar por dentro. Talvez estivesse demasiadamente óbvio e o politicamente correto prevaleceu.

Eu só sei que eu prefiro as lembranças, e te guardar junto à época bacana e encantadora da gente.
Eu prefiro ficar com quando a despedida deixava sorrisos bobos, e sonhos malucos, e plenitude.
A dorzinha chata e intermitente atual é daquelas necessárias pra fechar de vez a ferida toda.
E foi por causa disso que eu superei toda a vontade imensa de deixar quieto, de adiar mais uma vez, e de fingir que nem era comigo. Porque era infinitamente mais fácil continuar do jeito que estava.

O gosto amargo de agora, o coração apertado e pequeno, e a sensação de soco no estômago ... eles não passam de efeitos colaterais em busca do objetivo maior e mais do que necessário.
E eu nunca enxerguei isso de forma tão clara antes, nem tão bonita.

Devia haver um serviço de coleta de lixo emocional - foi uma frase que li em alguma época anterior, e concordei.
Hoje, discordo; selecionar e reciclar seu próprio lixo são etapas indispensáveis do processo.
Nem sempre é simples, nem sempre é tranqüilo, nem sempre é rápido; mas eu ouvi falar de uma tal regra dos 5 anos e, em último caso: eu ainda tenho a contagem regressiva a partir do quatro, até a partida definitiva do nosso trem.



"Para você que me ensinou
Que a tristeza é uma maneira
Da gente se salvar depois.
Num trem para as estrelas,
Depois dos navios negreiros,
Outras correntezas ..."

domingo, abril 15, 2007

Poligamia ...

E eu tenho trocentas coisas para fazer, centenas para contar, algumas dezenas sobre as quais divagar e conjecturar ... mas depois de alguns choppes com pessoas queridas, e de alguns minutos de conversas transcendentes via Embratel, eu só consigo ter pensamentos bons e leves, daqueles que nos preenchem e alentam.

E eu ainda me impressiono cada dia mais com essa coisa toda que é gostar de alguém, ou de alguéns, das mais diferentes formas.
E eu me fascino constantemente com os encontros inesperados de pessoas pela vida, e de como elas nos transformam e nos acrescentam, cada um a sua maneira, e em momentos tão específicos.

Como é que pode o simples fato de saber que certos individuozinhos existem, e que você os conhece, fazer-lhe um bem tão grande?
Como é que pode ocorrerem tantas trocas, tantos aprendizados, tanto tudo, mesmo sem o dia-a-dia, mesmo sem o olho-no-olho, às vezes mesmo sem contato de qualquer forma?

É aquela coisa gostosa de querer ser um alguém melhor, do experimentar coisas novas que você nem sequer imaginava que fosse capaz ... do lembrar com um sorriso nos momentos mais aleatórios possíveis.
É ter canções secretas, passagens de livros que remetem a momentos únicos, e piadas internas, e conversas sem o menor sentido para todo o resto do mundo.
É o fazer curso avançado de interpretar todas as letras e pontinhos e vírgulas e exclamações escritas, e todos os possíveis tons de voz de um mesmo timbre.
É o dividir o dia-a-dia mesmo que telepaticamente. É o ter aquela taquicardia bacana toda vez que receber notícias ou sinais de vida.
É o ter saudades não só do que foi, como do que pode vir a ser ... é o não se incomodar com o quando pode vir a ser.

E em todos aqueles momentos em que parece que está tudo errado; em todas aquelas horas em que você tem vontade de jogar tudo pro alto e fugir; em todas aquelas ocasiões em que a dúvida, a angústia e a tristeza tomam conta ... eu paro por um minuto, respiro fundo, e lembro que vocês existem, e que estão por aí em algum canto litorâneo desse Brasil, e então nada parece tão ruim assim, nem tão irresolvível.

E isso aqui, assim rascunho, assim sem maiores elaborações, é pra espontaneamente agradecer aos dois ...
Ao você que lê isso aqui sempre, que sabe muito bem que é você, que já é assim entre a gente faz é tempo e que parece que não vai mudar nunca. E que divide comigo sempre, transcende comigo sempre, que me ensinou a ser leve, e continua acordando e dormindo comigo seja a milhares de quilômetros de distância ou a apenas alguns centímetros.
E também ao outro você, que nem sabe que isso aqui existe, que nem sabe que você é você, que já saiu do meu dia-a-dia físico faz um tempo, mas que está presente de forma constante nos meus dias e em mim. E que ensinou tanto em tão pouco tempo, que eu ainda continuo processando um bocado da experiência toda em doses homeopáticas.

A vocês dois, então ... que me mostraram o gostar que só faz bem, que só eleva, que só edifica.
E que está acima dos ciúmes, da tristeza, da posse, do imediatismo, de relacionamentos-prisão-doentios-monogâmicos-por-conveniência e tudo o que eles envolvem.

Porque eu sei lá o que vai acontecer ou não acontecer. Eu sei lá o quanto isso muda, se isso muda, se pra pior, se pra melhor, etc e tal.
A única certeza que eu tenho é que, agora, eu quero vocês na minha vida, da forma que for, do jeito que der, pelo tempo que durar.
Porque entre vocês e eu, é paixão, é muito muito, é aquele pouquinho de loucura necessário pra fazer tudo parar, e de repente, parecer que tudo faz sentido.

"Vamos ficar,
vamos fazer
vocês e eu, eus e você.
Vamos gozar,
vamos viver
vocês e eu, eus e você ... "